Pessoa idosa usando um smartphone para fazer reconhecimento facial, com um escudo de segurança digital na tela
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Reconhecimento Facial e Golpes Financeiros: 8 Cuidados Antes de Fazer uma Selfie


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Você já recebeu uma mensagem pedindo para fazer uma selfie para confirmar sua identidade?

Talvez tenha sido para abrir uma conta, atualizar um cadastro, participar de um processo seletivo, contratar um serviço ou realizar alguma outra operação pela internet.

O reconhecimento facial trouxe muita praticidade para nossa vida digital. Hoje, em determinadas situações, podemos usar o rosto como uma das formas de identificação ou autenticação.

Mas existe uma pergunta que merece atenção:

Você sabe exatamente para que está fazendo aquela selfie?

Essa pergunta se torna ainda mais importante quando a solicitação chega por meio de um link enviado pelo WhatsApp, SMS, e-mail ou pelas redes sociais.

O problema não está necessariamente no reconhecimento facial. A tecnologia pode ser utilizada como uma camada de segurança e ajudar a confirmar a identidade de uma pessoa.

O risco aparece quando alguém é enganado e realiza uma validação acreditando estar fazendo uma coisa, enquanto, na realidade, pode estar participando de outro processo.

Aqui em Granja, no Ceará, acompanhando de perto a transformação digital e trabalhando diariamente com tecnologia e educação, percebo como os recursos digitais podem facilitar muito a nossa vida. Mas também vejo como é importante ensinar as pessoas a utilizar essas ferramentas com tranquilidade e responsabilidade.

Por isso, se você tem 60 anos ou mais, ou simplesmente quer navegar com mais segurança, este guia foi feito para você.

Antes de apontar o celular para o rosto e concluir uma validação, vale conhecer estes 8 cuidados simples.

O que é reconhecimento facial?

O reconhecimento facial é uma tecnologia capaz de analisar características do rosto para ajudar a identificar ou autenticar uma pessoa.

Dependendo do sistema utilizado, a tecnologia pode comparar uma imagem capturada naquele momento com uma fotografia previamente cadastrada ou verificar se a pessoa diante da câmera corresponde à identidade informada.

No dia a dia, podemos encontrar esse recurso em diferentes situações, como desbloqueio de dispositivos, acesso a aplicativos e processos de identificação.

No setor financeiro, tecnologias de biometria e reconhecimento facial também podem fazer parte das camadas utilizadas para autenticar usuários e aumentar a segurança de determinadas operações.

No caso do Pix, por exemplo, o Banco Central informa que as instituições participantes utilizam diferentes mecanismos de segurança e autenticação para proteger as operações.

Isso nos mostra uma coisa importante:

O reconhecimento facial não é, por si só, uma tecnologia criada para aplicar golpes.

Ele também pode ser utilizado justamente para dificultar fraudes.

O cuidado necessário está em saber quem está solicitando a validação e em qual contexto ela está sendo realizada.

Reconhecimento facial é a mesma coisa que assinatura digital?

Não. Essa é uma diferença importante. Uma validação facial pode participar de um processo de identificação ou autenticação. Dependendo da plataforma, ela também pode estar integrada a um procedimento de contratação eletrônica.

Mas não é correto afirmar que toda selfie ou todo reconhecimento facial seja automaticamente uma assinatura digital. O processo de contratação eletrônica pode envolver diferentes elementos para comprovar a identidade de uma pessoa e registrar sua manifestação de vontade.

Por isso, quando você realiza uma validação facial, é importante prestar atenção ao procedimento completo.

Pergunte a si mesmo:

  • Quem está solicitando essa validação?
  • Qual é a finalidade?
  • Qual empresa está realizando o procedimento?
  • Existe algum contrato envolvido?
  • O que exatamente estou autorizando?
  • Meus dados serão armazenados?
  • Com quem poderão ser compartilhados?

Se essas informações não estiverem claras, não tenha pressa.

Pare o procedimento e procure confirmar a solicitação por um canal oficial.

Como um golpe pode envolver uma validação facial?

Muitas pessoas imaginam que, para aplicar um golpe sofisticado, o criminoso precisa invadir um sistema bancário ou quebrar uma tecnologia de segurança.

Nem sempre.

Uma das ferramentas mais utilizadas pelos criminosos é a chamada engenharia social. Nesse tipo de situação, o golpista tenta convencer a própria vítima a realizar determinada ação. Imagine, por exemplo, uma pessoa procurando emprego.

Ela encontra uma suposta oportunidade em uma empresa conhecida e recebe uma mensagem dizendo que precisa enviar documentos e fazer uma selfie para concluir o cadastro.

A vítima acredita que está apenas cumprindo uma etapa do processo seletivo.

O problema pode estar no fato de que aquela vaga não existe ou de que os dados estão sendo solicitados por alguém que não representa a empresa.

Esse exemplo ajuda a entender uma questão importante:

O risco não está necessariamente no reconhecimento facial.

O risco pode estar na combinação entre engenharia social, coleta indevida de dados, falsificação de identidade e tentativa de fraude.

Por isso, antes de fazer uma validação, procure entender o processo inteiro.

8 Cuidados Antes de Fazer uma Validação Facial

1. Descubra quem está pedindo a selfie

Antes de realizar qualquer validação facial, procure identificar a empresa ou instituição responsável. Não confie apenas no nome que aparece na mensagem. Se alguém disser representar um banco, uma empresa ou uma instituição conhecida, procure o contato oficial por conta própria. Se for um banco, por exemplo, entre diretamente no aplicativo oficial ou procure o endereço oficial da instituição no navegador. Evite utilizar links recebidos inesperadamente para acessar serviços financeiros. A regra é simples:

Se você não sabe quem está pedindo, não entregue seus dados.

2. Entenda por que a validação é necessária

Uma solicitação legítima deve ter uma finalidade compreensível.

Se alguém disser apenas:

“Faça uma selfie para confirmar seu cadastro.”

pare e pergunte:

Qual cadastro? Para qual finalidade? Qual empresa receberá meus dados? O que acontecerá depois da validação?

Quanto mais importante for a operação, mais importante é entender o que está acontecendo. Você não precisa ter vergonha de perguntar. Na verdade, fazer perguntas é uma das melhores formas de se proteger.

3. Desconfie de mensagens que criam urgência

Golpistas gostam de criar sensação de pressa.

Algumas frases devem servir como alerta:

  • “Faça agora.”
  • “Seu cadastro será cancelado.”
  • “Você perderá a vaga.”
  • “Sua conta será bloqueada.”
  • “Seu benefício será suspenso.”
  • “Você tem apenas alguns minutos.”

Uma pressão inesperada pode ser uma tentativa de impedir que você tenha tempo para verificar a informação.

Quando receber uma mensagem assim, faça o contrário do que o golpista espera.

Pare. Respire. Verifique.

Depois, procure a empresa por um canal oficial.

4. Proteja seus documentos e sua selfie

Uma selfie pode parecer apenas uma fotografia. Uma foto do documento também. Mas, quando informações pessoais são reunidas, o conjunto pode se tornar muito mais valioso para quem pretende praticar uma fraude. Nome completo, CPF, documento de identidade e imagem do rosto são informações que merecem cuidado. Por isso, evite enviar documentos para pessoas desconhecidas ou plataformas que você não conseguiu verificar. Se uma empresa realmente precisar dessas informações, procure confirmar sua identidade e a finalidade da coleta.

Seus dados biométricos são protegidos pela LGPD?

Sim.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, conhecida como LGPD, estabelece regras para o tratamento de dados pessoais no Brasil.

Quando vinculados a uma pessoa natural, os dados biométricos são classificados como dados pessoais sensíveis e recebem proteção específica.

Isso não significa que você nunca possa utilizar reconhecimento facial ou outros recursos biométricos.

Significa que é importante saber:

Quem está coletando seus dados? Por qual motivo? Como essas informações serão tratadas? Existe uma finalidade clara para a coleta?

Ao utilizar um serviço legítimo, procure conhecer a empresa responsável e consultar suas informações de privacidade.

Se a solicitação vier de uma empresa desconhecida, de um perfil suspeito ou de um endereço eletrônico que você não reconhece, redobre a atenção.

5. Cuidado com falsas vagas de emprego

Esse é um cenário que merece atenção especial. Imagine receber uma mensagem dizendo:

“Parabéns! Você foi selecionado para uma vaga.”

Depois, o suposto recrutador solicita:

  • CPF;
  • documento de identidade;
  • selfie;
  • reconhecimento facial;
  • dados bancários.

Tudo parece normal. Mas existe uma pergunta que você deve fazer antes de enviar qualquer coisa:

Essa vaga realmente existe?

Procure a empresa diretamente. Entre no site oficial. Verifique se a oportunidade aparece nos canais oficiais de recrutamento. Se possível, confirme a informação com o setor de Recursos Humanos utilizando um contato encontrado por você, e não apenas o número fornecido pelo suposto recrutador.

Não permita que a ansiedade para conseguir uma oportunidade faça você ignorar sinais de alerta.

6. Não confie apenas na aparência profissional de um site

Um site bonito não prova que uma empresa é verdadeira. Uma página com o logotipo de uma marca conhecida também não. Criminosos podem copiar nomes, logotipos e até criar páginas visualmente muito semelhantes às de empresas legítimas. Por isso, observe o endereço do site. Confira se o domínio realmente pertence à empresa. Procure os canais oficiais. Não confie apenas na aparência.

E lembre-se:

O cadeado no navegador não significa que o site é honesto.

Ele indica que a conexão utiliza HTTPS e que os dados transmitidos entre seu dispositivo e o site são protegidos por criptografia durante a comunicação.

Um site fraudulento também pode utilizar HTTPS.

Portanto, o cadeado é importante, mas não é um certificado de honestidade.

7. Nunca conclua uma operação financeira sem saber o que está contratando

Antes de concluir qualquer procedimento envolvendo:

  • empréstimo;
  • financiamento;
  • cartão;
  • abertura de conta;
  • crédito;
  • seguros;
  • investimentos;
  • outros serviços financeiros;

procure entender exatamente o que está sendo contratado.

Confira:

O Que Verificar Por Que É Importante?
Nome do produto Para saber exatamente qual serviço está sendo contratado.
Instituição responsável Para confirmar quem está oferecendo o serviço.
Valor total Para entender o custo da operação.
Parcelas Para saber quanto será pago e por quanto tempo.
Taxas e encargos Para compreender o custo efetivo da contratação.
Contrato Para conhecer as condições e responsabilidades envolvidas.

Se você não entende o que está sendo contratado, não tenha pressa para confirmar. Peça ajuda a alguém de confiança ou procure diretamente a instituição financeira. Uma selfie nunca deve ser o motivo para você deixar de ler o que está sendo contratado.

8. Se tiver dúvida, interrompa o processo

Essa talvez seja a regra mais importante de todas. Você não é obrigado a concluir uma validação apenas porque alguém mandou. Se alguma coisa parecer estranha:

Pare. Não clique. Não envie novos documentos. Não faça a selfie. Não informe senhas. Não forneça códigos recebidos por SMS.

Primeiro, confirme a situação.

Depois, se estiver tudo correto, você poderá retomar o procedimento com mais segurança.

O reconhecimento facial também pode ajudar a proteger seu dinheiro

Depois de conhecer tantos riscos, você pode estar pensando:

“Então é melhor nunca usar reconhecimento facial?”

Não é bem assim.

A tecnologia também pode ser uma aliada.

Instituições financeiras utilizam diferentes mecanismos para tentar proteger seus clientes contra fraudes. Dependendo do serviço e da instituição, podem existir camadas de autenticação que envolvem senhas, biometria, reconhecimento facial, tokens e outros recursos.

O próprio Pix possui mecanismos de segurança e prevenção a fraudes. Por isso, não devemos olhar para o reconhecimento facial apenas como uma ameaça. Ele pode ser uma ferramenta importante de proteção. O que precisamos evitar é confiar cegamente em qualquer solicitação que peça nossa imagem, nossos documentos ou nossos dados pessoais.

A tecnologia pode ser segura.

O problema pode estar em quem está tentando fazer você utilizá-la.

O que fazer se você suspeitar que caiu em um golpe?

Se você realizou uma validação facial, enviou documentos ou forneceu informações pessoais e depois percebeu que pode ter sido vítima de uma fraude, não espere.

Tome algumas providências:

  1. Entre em contato imediatamente com a instituição financeira que possa estar envolvida.
  2. Informe que você suspeita de uma fraude.
  3. Solicite orientação sobre o bloqueio ou contestação de operações que você não reconhece.
  4. Guarde prints das mensagens, e-mails, links e conversas.
  5. Anote os protocolos de atendimento.
  6. Verifique se existem contas, contratos ou movimentações que você não reconhece.
  7. Se houver uma transação Pix suspeita ou fraudulenta, entre em contato com seu banco o mais rapidamente possível e peça orientação sobre os mecanismos disponíveis para contestação.
  8. Considere registrar um boletim de ocorrência quando houver indícios de crime.
  9. Se houver prejuízo financeiro relevante, procure orientação jurídica.

Quanto mais cedo você agir, maiores serão as chances de interromper uma fraude ou reduzir seus prejuízos.

Uma regra simples para guardar

Antes de fazer qualquer validação facial, faça estas cinco perguntas:

Pergunta O Que Você Precisa Saber
Quem está pedindo? Identifique a empresa ou instituição.
Por que está pedindo? Entenda a finalidade da validação.
O que estou autorizando? Descubra se existe alguma contratação ou operação.
Onde meus dados serão utilizados? Procure informações sobre privacidade e tratamento de dados.
Como posso confirmar que isso é verdadeiro? Utilize um canal oficial encontrado por você.

Se você não conseguir responder a essas perguntas, não tenha pressa para fazer a selfie. Procure a empresa pelos canais oficiais e confirme a solicitação. Uma pequena pausa para verificar pode evitar um grande problema.

Conclusão: A Tecnologia Deve Trabalhar a Seu Favor

O reconhecimento facial faz parte de uma transformação importante na maneira como lidamos com serviços digitais.

Ele pode facilitar o acesso a aplicativos, ajudar na autenticação e participar de mecanismos utilizados por instituições financeiras para aumentar a segurança.

Mas nenhuma tecnologia substitui a atenção do usuário.

Os golpes modernos muitas vezes exploram a confiança, a pressa e a falta de informação. Em determinadas situações, o criminoso tenta convencer a própria vítima a entregar voluntariamente informações que poderão ser utilizadas de maneira indevida.

Por isso, a melhor proteção é combinar tecnologia com consciência.

Antes de fazer uma selfie para validar sua identidade, saiba exatamente quem está pedindo, por que está pedindo e o que acontecerá com seus dados.

Não tenha vergonha de perguntar. Não tenha pressa de clicar. Não tenha medo de interromper uma operação quando alguma coisa parecer estranha.

E lembre-se:

Uma pequena pausa para verificar pode proteger muito mais do que seus dados. Pode proteger sua tranquilidade e seu patrimônio.


Perguntas Frequentes sobre Reconhecimento Facial e Golpes Financeiros

1. Reconhecimento facial é perigoso?

Não necessariamente. O reconhecimento facial é uma tecnologia que pode ser utilizada de forma legítima para identificação, autenticação e segurança. O principal cuidado é verificar quem está coletando os dados, qual é a finalidade e se o procedimento é realmente oficial.

2. Uma selfie pode ser usada para contratar um financiamento?

Uma selfie, isoladamente, não significa automaticamente que um financiamento foi contratado. Porém, uma imagem facial pode fazer parte de um processo de identificação ou autenticação. Se você não reconhece uma contratação, procure imediatamente a instituição envolvida e conteste a operação.

3. É seguro enviar uma selfie e um documento pela internet?

Pode ser seguro quando o procedimento é realizado em uma plataforma legítima, para uma finalidade clara e com medidas adequadas de proteção. Evite enviar esses dados para desconhecidos, links suspeitos ou empresas cuja identidade não possa ser confirmada.

4. Um banco pode pedir reconhecimento facial?

Dependendo da instituição e do serviço, sim. Bancos e instituições financeiras podem utilizar diferentes mecanismos de autenticação, incluindo biometria e reconhecimento facial. Se a solicitação for inesperada, confirme diretamente pelo aplicativo oficial ou pelos canais oficiais do banco.

5. O que fazer se eu fiz uma selfie para um golpista?

Entre em contato imediatamente com as instituições que possam estar envolvidas, monitore suas contas e procure identificar operações desconhecidas. Guarde mensagens e comprovantes e, se houver prejuízo ou indícios de crime, registre a ocorrência e busque orientação adequada.

6. A LGPD protege meus dados biométricos?

Sim. Dados biométricos vinculados a uma pessoa natural são classificados como dados pessoais sensíveis pela LGPD e possuem proteção específica. Isso não significa que seu uso seja sempre proibido, mas estabelece regras e responsabilidades para o tratamento dessas informações.


Referências